Smart Grid: o futuro da energia
A energia elétrica é fundamental. Dela dependem a vida cotidiana e a capacidade de realizar grande parte das atividades humanas. Antes, o Sol governava nossa existência. Agora, graças à rede de eletricidade, só ficamos no escuro se quisermos. No início da década de 1930, quando a energia chegou as zonas rurais dos Estados Unidos, em um certo domingo um agricultor do Tennessee levantou-se em sua igreja e disse: “A melhor coisa do mundo é ter no coração o amor de Deus. A segunda é ter eletricidade em casa”. Naqueles tempos, o homem falava de apenas algumas lâmpadas incandescentes e talvez um aparelho de rádio. Mal sabia ele o que viria pela frente.
Hoje, as redes elétricas de qualquer país desenvolvido ou emergente são extensas. Estão longe, porém, de ter o modelo que a sociedade moderna precisa para o século 21. Além de obsoletas, não transmitem confiança, principalmente após a multiplicação desenfreada de aparelhos eletrônicos domésticos e industriais. Apenas nos Estados Unidos, apagões breves ou longos, quedas repentinas de corrente, entre outros problemas relacionados, geram um custo estimado de bilhões de dólares por ano.
Nos dias atuais, ao mesmo tempo que deve ser mais confiável, a rede elétrica precisa se mostrar compatível com outras matrizes energéticas, interligando, por exemplo, as principais usinas hidrelétricas e parques eólicos, distantes dos centros urbanos. Automatizada e munida de recursos de autorregulação, seria menos vulnerável a panes e apagões. Também estaria receptiva a outras fontes energéticas intermitentes e de pequena escala, como painéis solares e turbinas eólicas, em parte graças à capacidade de compensar as flutuações no suprimento por meio de seu armazenamento, até mesmo em baterias de veículos elétricos. Essa nova tecnologia, em andamento em vários países, atende pelo nome de smart grid: a rede inteligente de energia.
O primeiro impacto que a nova tecnologia vai provocar será tornar os consumidores mais conscientes. Hoje, para medir quanto gasta uma família ou um empreendedor, uma pessoa se dirige à residência, ao escritório ou à empresa e anota o que vê no velho medidor eletromecânico. Por outro lado, a companhia distribuidora só sabe se houve queda no fornecimento quando o consumidor telefona ou envia uma mensagem para reclamar. As empresas de eletricidade não dispõem de informações precisas em tempo real sobre o fluxo de corrente em suas linhas. Esse controle depende da reação das pessoas e de interruptores mecânicos pouco precisos.
Com o advento do smart grid, a relação entre a rede fornecedora e o consumidor vai clarear. Será possível acompanhar e reduzir o consumo, em especial nos horários de maior demanda, quando os custos de eletricidade se tornam mais elevados. Isso permitirá, tanto ao cliente quanto às companhias de eletricidade, considerável redução nas despesas com energia e diminuição nos níveis de poluição e nas emissões de gases de efeito estufa, o que poderá amenizar as consequências nas mudanças climáticas.
O Brasil também está no caminho das redes inteligentes. Desde 2008, assumiu uma posição de liderança na implantação do sistema na América Latina. No final de 2011, sediou pela quarta vez, em São Paulo, o Fórum Latino-Americano de Smart Grid, que reuniu empresários e especialistas de vários países em torno das últimas novidades do setor. No fim do encontro ficou evidente que o Brasil está pronto para iniciar o processo de modernização de sua rede elétrica. O que é, acima de tudo, uma enorme necessidade atual: 15% de cada 100 quilowatts (kW) produzidos no país se perdem entre a geração e o consumo, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Para continuar a ler, clique aqui.
Fonte: Rede Inteligente
Os comentários estão encerrados.
