O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, disse hoje que o Programa Espacial Brasileiro é indispensável para o desenvolvimento do país. Para o ministro, o debate em torno deste tema entre os diferentes organismos da administração pública e do setor privado é importante para que o programa tenha a dimensão necessária no Brasil.
O programa aeroespacial hoje, segundo o ministro, esbarra em dois desafios. A obtenção de recursos humanos e de recursos financeiros. "Como formar os técnicos e professores, como atrair os jovens para que se dediquem a essa atividade, e como dispor dos recursos, uma vez que essa atividade está vinculada a equipamentos de custo muito elevado", questionou.
Guimarães destacou as condições favoráveis da localização geográfica brasileira da Base de Alcântara para o lançamento de satélites e lembrou que da mesma forma que em outros setores como o agrícola e o industrial, é preciso haver a mobilização de grupos de interesse para garantir a alocação orçamentária adequada para esta área.
Segundo o ministro, ainda há dificuldade para a inclusão dos projetos voltados para o programa aeroespacial na aquisição de recursos ou mesmo por meio do sistema financeiro. "Tendo em vista a nossa localização privilegiada, o mercado que existe, as questões de segurança e a utilização para a atividade econômica, precisamos refletir sobre a importância de dispomos os recursos necessários", destacou.
O ministro chamou a atenção para a necessidade de levar o programa espacial ao conhecimento das autoridades dos poderes executivo e legislativo e destacar a importância dos recursos empregados no desenvolvimento nacional.
De acordo com Guimarães, o Programa Espacial Brasileiro envolve questões de interesse do governo e da sociedade, como o desenvolvimento científico e tecnológico na utilização de satélites. "No espaço se pode realizar uma série de experiências relativas a materiais que não podem ser realizadas em condições do solo", afirmou.
O ministro citou ainda o sistema de comunicação civil e militar do Brasil, que funcionam por meio de satélites controlados por companhias estrangeiras. "Isso implica em um risco de segurança civil e militar. Portanto, há a necessidade de dispor de satélites de comunicação controlados por empresas ou pelo estado brasileiro", disse.
O Programa Espacial Brasileiro faz parte do Plano Brasil 2022, e define como meta a colocação em órbita de dois satélites geoestacionários brasileiros e o lançamento do primeiro veículo lançador de satélites (VLS) até o ano 2022, quando o país completa o bicentenário de sua independência.
A reunião técnica teve como objetivo discutir o Programa Espacial Brasileiro em dois painéis que tiveram como assunto central os veículos lançadores de satélites, a infraestrutura e as aplicações.
Durante o debate, que contou com a presença de oficiais das Forças Armadas, acadêmicos, representantes de organismos públicos e especialistas, temas como o desenvolvimento de satélite para meteorologia, navegação, vigilância e monitoramento ambiental; alternativas de financiamento e parcerias internacionais estratégicas; e estratégias de fomento, formação, capacitação e treinamento operacional estiveram na agenda