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Diplomacia Espacial: Agendado Lançamento do Satélite do Sul Asiático, iniciativa indiana para desenvolvimento regional

10 Mai 2017



Está marcado para o dia 5 de maio o lançamento do Satélite Sul Asiático (South Asia Satellite), um satélite geosincrônico de comunicações e metereologia desenvolvido pela Organização Indiana para Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) para os países da Associação Sul-Asiática para Cooperação Regional (SAARC na sigla em inglês), com exceção do Paquistão. O satélite, que levou três anos e 2,35 bilhões de rúpias para ser desenvolvido (aproximadamente, 36,61 milhões de dólares americanos; ou 115,56 milhões de reais – na cotação de 3 de maio de 2017), é, de acordo com Narenda Modi, Primeiro-Ministro da Índia, um presente para seus vizinhos. Ele tem vida útil de 12 anos e foi totalmente desenvolvido e financiado pelo Governo indiano, com os outros países sendo responsáveis somente pelas bases terrestres em seus territórios, para recebimento dos dados fornecidos.

O desenvolvimento e lançamento do satélite faz parte de uma política externa da Índia focada em sua vizinhança, principalmente nos membros da SAARC, iniciada por Modi já no início de seu mandato, em 2014. A Índia é a única nação Sul-Asiática a ter capacidade de desenvolver e lançar satélites, com um programa espacial ativo desde 1965. Com este presente para a região, o país pretende aumentar os laços de cooperação com os Estados da SAARC. Além disso, a iniciativa busca contrabalançar a atuação chinesa na área, pois Sri Lanka, Paquistão e Bangladesh atualmente dependem da China em seus desenvolvimentos espaciais.

De acordo com o Hindu Times, Modi afirmou no rádio que o satélite tem como funções o mapeamento de recursos naturais, telemedicina, educação, maior conectividade e contato interpessoal. Além disso, o equipamento tem capacidade de fornecer linhas de contato (hot lines) entre as nações participantes, o que é fundamental para a região, visto que nela ocorrem desastres naturais frequentemente.

O Afeganistão ainda não assinou sua participação no programa, mas espera-se que o faça nos próximos dias. A questão com o Paquistão, porém, é mais delicada. O país tem seu próprio programa espacial, o segundo mais desenvolvido da região, ainda que sem capacidade de lançar satélites, e levantou preocupações devido ao programa ter sido desenvolvido totalmente pela ISRO, sem a colaboração dos outros países da SAARC. Na avaliação do Governo paquistanês, sem o controle do projeto de desenvolvimento por todos, ele poderia ser utilizado para a coleta de informações confidenciais paquistanesas. Apesar de iniciativas indianas terem acontecido em um primeiro momento para o desenvolvimento coletivo do equipamento, a Índia anunciou em 2015 que o desenvolveria sozinha, levando o Paquistão a sair do projeto. De forma ilustrativa, os problemas no desenvolvimento do satélite são um reflexo dos desafios ainda existentes para a cooperação regional.


Fonte: Ceiri



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