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Livro: Prisioneiros da Geografia, quem dividiu o mundo e porquê?

03 Dez 2017



É difícil perceber se é o mundo que está pior ou se são os media que estão melhores – “melhores” no sentido de mais eficazes, colocando-nos instantaneamente a par de qualquer tumulto de rua, escândalo de corrupção, destituição de ministro ou sobressalto bolsista que ocorra no lugar mais remoto do planeta. Pouca importa se a percepção é real ou se resulta da sobrecarga de informação e do déficite de memória dos consumidores de informação, o que é certo é que a maioria das pessoas tem a sensação de viver “em tempos excepcionalmente instáveis”, como escreve John Scarlet, ex-director do MI6, no prefácio a Prisioneiros da geografia. Essa sensação angustiante de sentir o chão a fugir debaixo dos pés desencadeia manifestações de saudade pelos velhos tempos em que o mundo era, supostamente, estável e previsível, e um extraordinário apetite por sábios e oráculos capazes de elucidar todo o “som e a fúria” do mundo actual em cinco minutos e dois gráficos – como se existissem respostas simples para questões complexas – e de prever a sua evolução no futuro próximo.

A humanidade sempre teve dificuldade em lidar com a imprevisibilidade: Raparigas russas usam galinhas para adivinhar o futuro, gravura do século XIX – muito antes do polvo Paul, portanto

Daí que os politólogos e os analistas de política internacional se tenham tornado muito requisitados pelos canais de televisão e as livrarias se tenham visto invadidas por livros sobre geopolítica global. Por cá, onde continuam por traduzir tantas obras de referência da divulgação da história do passado, têm sido prontamente publicados os livros de “história do futuro” de George Friedman, o guru da prospectiva geopolítica: o francamente lunático e mórbido Os Próximos 100 Anos: Uma previsão para o século XXI (The next 100 years: A forecast for the 21st century, de 2009), que se deleita a imaginar com minúcia macabra e pueril um ataque traiçoeiro do Japão aos EUA (“Pearl Harbor parte 2”); o superficial e presunçoso A próxima década: Onde temos estado e para onde nos dirigimos (The next decade: Where we’ve been and where we’re going, de 2011); e o medíocre e pouco rigoroso Focos de tensão: Os choques geopolíticos que ameaçam o futuro da Europa (Flashpoints: The emerging crisis in Europe, publicado originalmente em 2015). Todos eles enfermam de uma perspectiva americanocêntrica e de uma doentia concepção do mundo como tabuleiro de jogo de guerra entre nações hiper-militaristas e ultra-maquiavélicas; para maior descrédito do autor, nada do que de inesperado aconteceu no mundo desde que foram publicados – as “Primaveras Árabes” ou a deriva de países-membros da União Europeia para a extrema-direita, por exemplo – faz parte das “previsões” destes três livros.

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Fonte: Observador



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