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RJ: GPS ainda orienta caminho por favela após argentina ser baleada

04 Mar 2017



A turista argentina baleada na tarde de segunda-feira por traficantes do Morro dos Prazeres estava a caminho do Cristo Redentor. Para chegar ao monumento, ela seguia as indicações de um aplicativo de navegação por satélite, que determinou que o melhor caminho entre o Rio Comprido — onde Natália Cappetti estava com o marido e dois amigos espanhóis — e Santa Teresa era seguir pela Rua Cândido de Oliveira, um dos acessos à favela.

O GPS não levou em consideração que se trata de uma área de risco. Nesta terça-feira, uma equipe do GLOBO voltou ao local onde o grupo começou a viagem e usou o mesmo aplicativo. Mais uma vez, a orientação foi entrar na comunidade, já que o deslocamento por suas vielas seria mais rápido.

À equipe de reportagem, o GPS sugeriu um caminho pela Rua Barão de Petrópolis e a entrada na Rua Cândido de Oliveira, na subida da favela. A orientação foi seguir em frente pela Rua Gomes Lopes, onde Natália teve o carro atacado por bandidos — ela levou um tiro na barriga. Quem conhece a região diz que o caminho é o pior possível:

— O aplicativo não avalia se há riscos pelo caminho, apenas considera o tempo de deslocamento. As pessoas que não conhecem a região acabam confiando demais no GPS e entram na favela — disse um PM lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Prazeres.

TRAJETO SEGURO É MAIS DEMORADO

O taxista Pedro Vicente, de 36 anos, que trabalha no Rio Comprido, conta que, quando perguntado sobre o melhor caminho até Santa Teresa, indica sempre um trajeto seguro, com alguns minutos a mais de duração do que o caminho pela favela. A rota citada por Pedro, que não cruza o Morro dos Prazeres, segue pela Rua Prefeito João Felipe, em vez de entrar na Rua Cândido de Oliveira.

— Às vezes, há uma pequena retenção na rua principal e o aplicativo coloca o interior da favela como a melhor alternativa. Quem não conhece a região acaba confiando no serviço de localização e não consulta os moradores da região — alertou o taxista.

Johnny Amaral, de 31 anos, que trabalha num posto de gasolina próximo a uma das entradas do Morro dos Prazeres, disse que diariamente turistas lhe perguntam qual é o melhor caminho para o Cristo Redentor. Segundo ele, faltam placas que indiquem a rota para um dos mais famosos cartões-postais do Brasil.

Em dezembro do ano passado, o turista italiano Roberto Bardella foi morto na mesma comunidade em que Natália foi ferida. Acompanhado pelo primo Rino Polato, Roberto entrou no Morro dos Prazeres por engano, também por orientação de um aplicativo.

PLACAS DE ALERTA ARRANCADAS

Anderson Gonçalves, que mora no Rio Comprido, disse que após a morte do italiano, foram instaladas placas nas ruas de acesso ao morro, com alerta sobre o perigo. Elas, no entanto, foram arrancadas dias depois:

— Os avisos vieram somente após a morte do turista italiano. Mas, logo depois de instaladas, as placas foram arrancadas pelos moradores da comunidade. Provavelmente, os traficantes mandaram tirar para assaltar desavisados.

Representantes do Google Maps, aplicativo usado pela argentina, foram procurados pelo GLOBO, mas informaram que não se pronunciariam sobre o caso. A polícia informou que espera que Natália receber alta para ouvir seu depoimento.


Fonte: O Globo



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